O que você vai ver neste post:

  • Por que o preço de um produto calculado "de cabeça" costuma esconder prejuízo em cada venda
  • Como chegar ao custo do produto revendido e do produto fabricado, e aplicar o markup divisor com um exemplo em reais
  • Como manter estoque, vendas e caixa organizados para refazer a conta sempre que o custo mudar

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Muita loja vende bem, tem fila no caixa e, mesmo assim, termina o mês sem dinheiro. Na maioria das vezes o problema não está nas vendas: está em como calcular o preço de venda de um produto. Quando o preço nasce de "custo mais 50%", parte do imposto, da comissão e das despesas fixas fica de fora, e cada unidade vendida leva embora um pedaço do lucro.

O tema pesa na sobrevivência do negócio. Segundo o estudo Sobrevivência de Empresas do Sebrae (2020), 21,6% das microempresas fecham em até cinco anos, e falhas de planejamento e de gestão aparecem entre as causas mais citadas pelos empresários.

Neste guia você vai montar o custo de um produto revendido e de um produto fabricado, descobrir a alíquota efetiva do Simples Nacional e aplicar o markup divisor passo a passo, com um exemplo completo em reais e os erros que mais corroem a margem.

O que entra no preço de venda de um produto

O preço de venda de um produto precisa pagar três grupos de valores: o que o produto custou para chegar à prateleira, o que sai do caixa a cada venda e o que mantém a empresa aberta. Sobre tudo isso ainda vem o lucro. Se um grupo fica de fora, o preço parece bom e o resultado não aparece.

Custo de aquisição ou de produção

É o valor gasto para ter o produto pronto para vender. Na revenda, é o custo de aquisição (preço do fornecedor mais impostos não recuperáveis e frete). Na fabricação, é o custo de produção (matéria-prima, embalagem e mão de obra direta). Esse é o único valor que entra em reais na fórmula; os demais entram como percentual.

Despesas variáveis de venda

São os gastos que só existem quando a venda acontece e que crescem junto com ela. Os mais comuns:

  • Imposto sobre a venda (no Simples Nacional, a alíquota efetiva do DAS)
  • Comissão de vendedores ou representantes
  • Taxas dos meios de pagamento (maquininha, boleto, Pix cobrado pela instituição)
  • Frete de entrega, quando a loja paga e não repassa ao cliente

Despesas fixas e margem de lucro

Aluguel, salários do time administrativo, contador, energia e sistemas não mudam com cada venda, mas precisam ser pagos pelo conjunto delas. Para entrar no preço, a despesa fixa vira um percentual: despesas fixas do mês ÷ faturamento médio do mês. A margem de lucro é o que sobra depois de tudo, também em percentual sobre o preço.

Na prática, o cálculo do preço de venda de um produto é uma conta de "quanto sobra do preço": o custo é fixo em reais e o resto é uma fatia do valor cobrado do cliente. Entenda agora como chegar ao custo certo.

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Como calcular o custo de um produto revendido

Quem compra para revender encontra quase todo o custo na nota fiscal de compra (a NF-e, também escrita NFe, emitida pelo fornecedor). O erro mais comum é usar só o valor unitário do item e esquecer o que vem nas outras linhas do documento.

O que somar da nota fiscal de compra

  • Valor unitário do produto, já com descontos comerciais concedidos na nota
  • IPI destacado: para o comércio, que em regra não é contribuinte do IPI, o imposto vira custo
  • ICMS-ST (substituição tributária): quando o produto está sujeito ao regime, o imposto pago antecipadamente na compra também é custo
  • Frete e seguro da compra, divididos pela quantidade de unidades recebidas

O que descontar: créditos de impostos e bonificações

Empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real podem tomar crédito do ICMS da compra (e, no Lucro Real, de PIS e Cofins). O valor recuperável sai do custo, porque volta para a empresa na apuração. Já a empresa do Simples Nacional não usa esse crédito para reduzir o próprio imposto, então o ICMS destacado na nota de compra fica no custo.

Bonificações recebidas em mercadoria também diluem o custo: se você pagou 10 unidades e recebeu 12, o custo unitário é o total dividido por 12.

Exemplo: o custo de aquisição de um liquidificador

Uma loja de utilidades do Simples Nacional compra liquidificadores. Por unidade, a nota e o conhecimento de transporte mostram:

Item do custo Valor por unidade
Preço do fornecedorR$ 80,00
IPI destacado na notaR$ 4,00
ICMS-ST pago na compraR$ 6,00
Frete rateadoR$ 3,00
Custo de aquisiçãoR$ 93,00

Na prática, o liquidificador "de R$ 80" custa R$ 93,00 para a loja. Usar R$ 80 como base já tira 14% do custo real da conta antes de qualquer imposto sobre a venda.

Venda com o estoque e o caixa em dia

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Se a sua empresa fabrica o que vende, a lógica é a mesma, mas o custo é montado de outro jeito. Veja a seguir.

Como calcular o custo de um produto fabricado

Na indústria e no artesanato, não existe uma nota de compra com o preço do produto pronto. O custo nasce da ficha técnica (a lista de insumos e quantidades usadas em uma unidade) somada ao trabalho de quem produz.

Matéria-prima e embalagem

Para cada insumo, divida o valor pago (com frete e impostos não recuperáveis) pela quantidade comprada e multiplique pelo que vai em uma unidade. Inclua as perdas: se 5% da massa se perde no processo, a ficha técnica precisa considerar 5% a mais de insumo. Embalagem, etiqueta e lacre entram aqui também.

Mão de obra direta e custos de produção

A mão de obra direta é o custo de quem produz (salário mais encargos) dividido pelo número de unidades fabricadas no mês. Energia das máquinas, gás e manutenção do equipamento são rateados da mesma forma. O que não está ligado à produção (aluguel do escritório, contador, marketing) fica para o percentual de despesas fixas, e não entra no custo unitário.

Exemplo: o custo de um sabonete artesanal

  • Matéria-prima (base, óleos e essência, com 5% de perda): R$ 4,20
  • Embalagem e rótulo: R$ 1,30
  • Mão de obra direta (salário e encargos ÷ produção do mês): R$ 2,00
  • Energia e outros custos de produção rateados: R$ 0,50

Custo de produção por unidade: R$ 8,00. Na prática, é esse número (e não só o valor da matéria-prima) que entra no lugar do custo na fórmula do preço. Agora vamos à conta completa.

Passo a passo: como calcular o preço de venda de um produto

Com o custo em mãos, o preço sai do markup divisor: preço de venda = custo ÷ (1 − soma dos percentuais sobre a venda). Siga os quatro passos com o liquidificador de R$ 93,00.

Passo 1: descubra a alíquota efetiva do Simples Nacional

A alíquota da tabela é nominal. O que a empresa paga de fato é a alíquota efetiva, calculada com a receita bruta dos últimos 12 meses (RBT12), conforme a Lei Complementar 123/2006:

Alíquota efetiva = (RBT12 × alíquota nominal − parcela a deduzir) ÷ RBT12

A loja do exemplo está no Anexo I (comércio), com RBT12 de R$ 540.000, na 3ª faixa (alíquota nominal de 9,5% e parcela a deduzir de R$ 13.860):

  1. R$ 540.000 × 9,5% = R$ 51.300
  2. R$ 51.300 − R$ 13.860 = R$ 37.440
  3. R$ 37.440 ÷ R$ 540.000 = 6,93%

Indústrias usam o Anexo II, com outra tabela. Confirme o anexo da sua atividade com o seu contador.

Passo 2: some os percentuais que incidem sobre o preço

  • Simples Nacional (alíquota efetiva): 6,93%
  • Comissão do vendedor: 3%
  • Taxa média dos meios de pagamento: 2,5%
  • Despesas fixas (R$ 9.000 ÷ R$ 45.000 de faturamento mensal): 20%
  • Margem de lucro desejada: 10%

Total: 42,43% do preço já tem destino antes de o produto sair da loja.

Passo 3: aplique o markup divisor

  1. Divisor: 1 − 0,4243 = 0,5757
  2. Preço: R$ 93,00 ÷ 0,5757 = R$ 161,54
  3. Markup multiplicador equivalente: 1 ÷ 0,5757 ≈ 1,737

Para o sabonete (Anexo II, 1ª faixa com 4,5%, sem comissão, 2% de taxas, 15% de despesas fixas e 15% de lucro), a soma é 36,5% e o preço fica em R$ 8,00 ÷ 0,635 = R$ 12,60.

Passo 4: confira a margem de contribuição e o preço do mercado

Refaça a conta de trás para frente. Dos R$ 161,54, saem R$ 93,00 de custo e R$ 20,08 de despesas variáveis (imposto, comissão e taxas). Sobram R$ 48,46 de margem de contribuição (30% do preço), que pagam os 20% de despesas fixas e os 10% de lucro.

Com margem de contribuição de 30%, o ponto de equilíbrio da loja é R$ 9.000 ÷ 0,30 = R$ 30.000 de faturamento por mês. Abaixo disso, a empresa não paga as despesas fixas.

Por fim, compare com o preço praticado pelos concorrentes. Se o mercado vende a R$ 140, a resposta não é cortar a margem no escuro: é renegociar a compra, reduzir despesas fixas ou ganhar volume. Veja os erros que mais derrubam essa conta.

Preço de venda de um produto: erros que corroem a margem

A fórmula é simples, mas alguns atalhos do dia a dia anulam o cálculo. Estes são os que mais aparecem no comércio e na pequena indústria.

Somar os percentuais em cima do custo

É o erro clássico. Aplicar os mesmos 42,43% sobre o custo dá R$ 93,00 × 1,4243 = R$ 132,46. Só que imposto, comissão, taxas e despesas fixas são cobrados sobre o preço: 32,43% de R$ 132,46 são R$ 42,96. Resultado: R$ 132,46 − R$ 93,00 − R$ 42,96 = prejuízo de R$ 3,50 por unidade, quando o dono acreditava ter 10% de lucro.

Dar desconto sem saber o limite

Antes de uma promoção, calcule o desconto máximo. No liquidificador, com cerca de 34,3% de desconto o preço cai para R$ 106,20, e depois das despesas variáveis sobram exatamente os R$ 93,00 do custo. Nesse ponto, a venda não paga nenhum real das despesas fixas.

Atenção: descontos acima do limite da margem de contribuição tiram dinheiro do caixa a cada venda. Promoção abaixo desse ponto só faz sentido para desovar estoque parado, e com prazo definido.

Não atualizar o preço quando o custo de reposição sobe

Se o fornecedor reajustou o liquidificador para R$ 88, a próxima compra custa mais, mesmo que a prateleira ainda tenha unidades antigas. Precifique pelo custo de reposição (quanto custa comprar de novo), senão o dinheiro da venda não paga o próximo pedido. Na prática, revise o preço a cada nota de compra com valor diferente.

Ignorar a reforma tributária a partir de 2027

A Lei Complementar 214/2025 prevê que, em 2027, a CBS substitui o PIS e a Cofins. Para as empresas do regime regular, a CBS é calculada por fora do preço (não integra a própria base), o que muda a forma de montar o divisor. Empresas do Simples Nacional continuam recolhendo pelo DAS, salvo se optarem pelo recolhimento do IBS e da CBS no regime regular. Revise a fórmula com o seu contador antes da virada do ano.

Com os erros mapeados, o próximo passo é ter os números certos sempre à mão.

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Sistema de gestão para manter o custo do produto em dia

A fórmula do preço depende de números que mudam toda semana: o que entrou no estoque, quanto a loja faturou e quanto saiu de despesa. O Simplifique, sistema de gestão da Contmatic usado por mais de 9 mil empresas, mantém esses números organizados para você refazer a conta com segurança.

Estoque e vendas no mesmo lugar

  • Controle de estoque com entradas e saídas, e o saldo atualizado automaticamente quando a NF-e de venda é autorizada
  • Pedido de venda que vira NF-e sem redigitar os itens
  • Relatórios personalizados e exportação em CSV e XLSX para levar os dados para a sua planilha de preços

Financeiro que mostra as despesas fixas reais

  • Contas a receber criadas automaticamente a partir das vendas
  • Fluxo de caixa atualizado, com entradas e saídas por forma de pagamento
  • Emissão de NF-e para varejo e atacado, inclusive devoluções e remessas

O cálculo do markup continua sendo seu: o sistema não define o preço por você. O que muda é que o faturamento, as despesas fixas e o giro do estoque deixam de ser estimativas.

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Perguntas Frequentes

Como calcular o preço de venda de um produto?

Some o custo do produto (compra ou produção), defina os percentuais que incidem sobre a venda (imposto, comissão, taxas, despesas fixas e lucro) e divida o custo por 1 menos a soma desses percentuais. Um produto de R$ 93,00 com 42,43% sobre a venda sai a R$ 93,00 ÷ 0,5757 = R$ 161,54.

Como calcular o preço de venda de um produto para revenda?

Comece pelo custo de aquisição da nota fiscal de compra: preço do fornecedor, IPI, ICMS-ST e frete rateado, menos os créditos de impostos que a empresa pode recuperar. Depois aplique o markup divisor com os percentuais da sua loja.

Como calcular o preço de venda no Simples Nacional?

Use a alíquota efetiva, e não a nominal: (RBT12 × alíquota nominal − parcela a deduzir) ÷ RBT12. Com RBT12 de R$ 540 mil no Anexo I, a alíquota efetiva é 6,93%, e é esse percentual que entra na soma do markup.

Qual a fórmula do markup divisor?

Markup divisor = 1 − (soma dos percentuais sobre a venda ÷ 100). O preço de venda é o custo dividido por esse número. Se a soma é 42,43%, o divisor é 0,5757 e o markup multiplicador equivalente é cerca de 1,737.

O Simplifique calcula o preço de venda dos produtos?

Não. O Simplifique não define o preço por você. Ele organiza os dados que alimentam a conta: estoque com entradas e saídas, vendas, contas a receber, fluxo de caixa e relatórios exportáveis, para que você aplique o markup com números reais.