O que você vai ver neste post:
- Onde consultar a tabela de frete ANTT e como usar a calculadora oficial sem erro
- A fórmula do piso mínimo por eixos e quilômetros, com um exemplo prático de cálculo
- Quais multas você corre ao pagar frete abaixo do piso e como o CT-e protege sua operação
Fechar um frete abaixo do piso mínimo hoje custa muito mais caro do que economizar no papel. A fiscalização da ANTT ficou automática em 2026, e o valor errado na tabela de frete vira multa, indenização em dobro e risco de perder o RNTRC.
Segundo a Confederação Nacional do Transporte, o modal rodoviário responde por mais de 60% de tudo o que circula no Brasil, e cada uma dessas viagens precisa respeitar o piso definido pela Política Nacional de Pisos Mínimos (Lei 13.703/2018). Não é sugestão, é obrigação legal para quem contrata e para quem transporta.
Neste guia você vai aprender, na prática, onde consultar a tabela de frete ANTT, como calcular o piso mínimo passo a passo, o que não entra nessa conta e como evitar as multas de 2026.
Tópicos neste artigo:
O que é a tabela de frete ANTT
A tabela de frete ANTT é o conjunto de valores mínimos que devem ser pagos pelo transporte rodoviário de cargas no Brasil. Ela traduz em números a Política Nacional de Pisos Mínimos, criada pela Lei 13.703/2018 para garantir que o frete cubra os custos reais do transportador.
Para que serve o piso mínimo de frete
O piso mínimo de frete existe para impedir que o valor pago fique abaixo do que o transportador gasta para rodar. Ele considera combustível, pneus, manutenção, depreciação e o tempo parado na carga e descarga. Na prática, é o freio contra fretes predatórios.
Quem é obrigado a respeitar a tabela
A obrigação recai sobre todos os contratantes do serviço. Isso inclui o embarcador (dono da carga), a transportadora e as operadoras logísticas que intermedeiam o frete.
- Embarcadores que contratam transporte de terceiros
- Transportadoras que subcontratam autônomos ou outras empresas
- Operadores logísticos e cooperativas de transporte de cargas
A base legal vigente em 2026
A metodologia atual vem da Resolução ANTT nº 6.076/2026, em vigor desde 20 de janeiro de 2026. Como o preço do diesel mexe direto nos custos, os coeficientes foram atualizados por gatilho pelas Portarias SUROC, sendo a Portaria SUROC nº 4/2026 a vigente. Sempre confirme qual norma está valendo antes de calcular.
Entenda onde encontrar esses valores a seguir.
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Onde consultar a tabela e a calculadora oficial
Você não precisa somar coeficientes na mão. A ANTT disponibiliza uma calculadora oficial que aplica a tabela vigente automaticamente. É a fonte mais segura, porque acompanha cada reajuste do diesel.
A calculadora oficial da ANTT
A ferramenta fica em calculadorafrete.antt.gov.br. Você informa os dados da operação e o sistema devolve o piso mínimo, indicando qual tabela e quais coeficientes foram usados. Na prática, isso elimina a dúvida sobre qual portaria está valendo.
O que você precisa ter em mãos
Antes de abrir a calculadora, separe as informações da viagem. Com esses dados, o cálculo leva menos de um minuto.
- Tipo de carga (geral, granel sólido, granel líquido, frigorificada, perigosa ou neogranel)
- Número de eixos da composição (do caminhão simples ao rodotrem)
- Distância da viagem em quilômetros
- Se a operação é lotação comum ou de alto desempenho
Cuidado com calculadoras não oficiais
Existem várias calculadoras de software no mercado, e elas ajudam no dia a dia. Ainda assim, a referência final é sempre a calculadora da ANTT, porque ela é atualizada no mesmo momento em que a norma muda. Use as outras como apoio, não como prova.
Agora veja como o cálculo funciona por dentro.
Como calcular o piso mínimo passo a passo
Entender a fórmula ajuda você a conferir se o valor da calculadora faz sentido e a negociar com segurança. O cálculo do piso mínimo é mais simples do que parece.
A fórmula do piso mínimo
O piso do frete-peso segue uma conta direta:
Piso mínimo (R$ por viagem) = (distância em km × CCD) + CC
Ou seja, você multiplica a distância pelo custo por quilômetro e soma um valor fixo por operação. Simples assim.
Entenda os coeficientes CCD e CC
Os dois coeficientes representam custos diferentes da viagem.
- CCD (Coeficiente de Deslocamento): o custo por quilômetro rodado, em R$/km. Cobre combustível, pneus, manutenção e depreciação.
- CC (Coeficiente de Carga e Descarga): um valor fixo, em reais, que remunera o tempo parado no carregamento e no descarregamento.
Os dois variam conforme o tipo de carga, o número de eixos e a tabela aplicável.
As quatro tabelas (A, B, C e D)
A ANTT divide os coeficientes em quatro tabelas. A escolha depende de como você contrata o veículo e do nível de utilização.
| Tabela | Tipo de operação | Como o veículo é contratado |
|---|---|---|
| Tabela A | Carga lotação | Composição veicular (veículo mais reboques) |
| Tabela B | Carga lotação | Apenas a unidade de tração |
| Tabela C | Alto desempenho | Composição veicular (veículo mais reboques) |
| Tabela D | Alto desempenho | Apenas a unidade de tração |
Nas operações de alto desempenho (contratos dedicados, com programação fixa e alta utilização), os coeficientes são menores, porque os custos fixos se diluem em mais viagens.
Exemplo prático: calcule na sua operação
Nada explica melhor que um caso com números. Imagine uma carga geral, transportada por um veículo de 5 eixos, em uma viagem de 800 km, na modalidade lotação. Suponha os coeficientes hipotéticos de CCD igual a R$ 4,00 por km e CC igual a R$ 350,00.
- Multiplique a distância pelo CCD: 800 km × R$ 4,00 = R$ 3.200,00.
- Some o coeficiente de carga e descarga: R$ 3.200,00 + R$ 350,00 = R$ 3.550,00.
- O piso mínimo da viagem é R$ 3.550,00.
Os valores acima são apenas ilustrativos. Use sempre os coeficientes reais da norma vigente na calculadora oficial. Depois de calcular, confira o resultado na calculadora da ANTT e guarde o comprovante junto com o CT-e e o CIOT da operação.
Mas atenção: o piso não é o valor final do frete. Veja o que fica de fora.
O que a tabela de frete ANTT não inclui
Um erro comum é achar que o piso mínimo já cobre tudo. Ele cobre apenas o frete-peso. Alguns custos precisam ser somados por fora, ou você paga do próprio bolso.
Pedágio somado à parte
O pedágio não entra no piso. Ele deve ser repassado separadamente, conforme a Lei 10.209/2001, por meio do Vale-Pedágio obrigatório. Somar o pedágio ao piso é o que garante o valor cheio da viagem.
Tributos e encargos legais
Impostos como ICMS, PIS e Cofins também ficam fora do piso mínimo calculado. O mesmo vale para seguros e outras despesas acessórias. Na prática, o frete cobrado ao cliente é o piso mais pedágio, mais tributos, mais adicionais.
Ignorar esses itens derruba sua margem. E pagar abaixo do piso tem consequência pesada, como você verá agora.
Multas por pagar frete abaixo do piso
Em 2026, respeitar a tabela deixou de ser uma questão de boa vontade. A fiscalização passou a ser eletrônica e cruza dados em tempo real.
A fiscalização automática em 2026
A partir de 2026, o sistema cruza automaticamente o CIOT, o MDF-e e o CT-e entre ANTT, Receita Federal e fiscos estaduais. Quando o valor declarado fica abaixo do piso, o alerta é gerado sem precisar de fiscal na estrada.
Valores das multas e indenização
A Medida Provisória 1.343/2026 agravou as penalidades. Os números assustam quem ainda tenta pagar frete barato.
Diante desse risco, documentar o frete com valor igual ou superior ao piso é a única saída segura. E é aí que o sistema certo faz diferença.
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- Novas Regras do CIOT e Frete Mínimo: Veja agora o que muda
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Calcular o piso é só o começo. O valor precisa chegar correto ao CT-e, ao MDF-e e ao CIOT, porque é exatamente esse trio que a fiscalização cruza. Um número divergente entre eles já acende o alerta.
Com o Simplifique, você centraliza a operação de transporte em um só lugar:
- Emissão de CT-e com os valores de frete organizados por viagem
- Emissão de MDF-e integrada ao CT-e, sem redigitar dados
- Controle das viagens e dos documentos fiscais em um painel único
- Validação automática pela SEFAZ, reduzindo o risco de rejeição
Na prática, você mantém o frete alinhado ao piso e a documentação coerente, sem planilhas soltas e sem retrabalho. É menos tempo apagando incêndio e mais tempo rodando.
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Perguntas Frequentes
Como consultar a tabela de frete da ANTT?
A forma mais segura é acessar a calculadora oficial em calculadorafrete.antt.gov.br. Você informa o tipo de carga, o número de eixos, a distância e a modalidade, e o sistema devolve o piso mínimo com os coeficientes atualizados da norma vigente.
Como calcular o piso mínimo de frete?
Use a fórmula piso igual a distância em km vezes o CCD, somado ao CC. O CCD é o custo por quilômetro e o CC é o valor fixo de carga e descarga. Ambos variam por tipo de carga, número de eixos e tabela (A, B, C ou D).
O pedágio está incluído na tabela de frete?
Não. O piso mínimo cobre apenas o frete-peso. O pedágio é repassado à parte pelo Vale-Pedágio (Lei 10.209/2001), assim como tributos, seguros e demais adicionais, que também não entram no piso.
Como o Simplifique ajuda a manter o frete dentro do piso?
O Simplifique emite CT-e e MDF-e de forma integrada, mantendo os valores de frete coerentes entre os documentos que a ANTT cruza na fiscalização. Isso reduz divergências, o risco de rejeição na SEFAZ e a exposição a multas por frete abaixo do piso.