DRE: Demonstração do Resultado do Exercício: O Que É e Como Fazer 2026

A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) mostra o lucro ou prejuízo de uma empresa em um período. Saiba o que é, quais contas compõem e como montar a sua.

ES
Equipe Simplifique
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DRE: Demonstração do Resultado do Exercício — O Que É e Como Fazer

A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) é o relatório contábil que apresenta o lucro ou prejuízo de uma empresa em um determinado período, detalhando todas as receitas, custos e despesas que compõem esse resultado. É um dos principais instrumentos de análise financeira e, para a maioria das sociedades brasileiras, sua elaboração é obrigatória por lei.

A obrigatoriedade está prevista na Lei 6.404/1976 (Lei das S.A.) e se aplica a todas as sociedades por ações, além de ser exigida pelas normas do CFC (Conselho Federal de Contabilidade) para empresas de médio e grande porte. Mesmo para empresas optantes pelo Simples Nacional, a DRE é recomendada como ferramenta de gestão financeira, pois permite identificar onde o negócio ganha e onde perde dinheiro.

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O Que é a DRE e Para Que Serve

Definição e Finalidade da Demonstração do Resultado

A DRE é uma demonstração financeira que apura o resultado líquido de uma empresa ao longo de um exercício social (normalmente 12 meses). Ela organiza as receitas e despesas em ordem lógica, partindo da receita bruta e chegando ao lucro líquido (ou prejuízo líquido) do período. Sua principal finalidade é mostrar aos sócios, investidores e gestores se a operação gerou resultado positivo e quais são os principais fatores que influenciaram esse resultado.

Base Legal: Lei 6.404/1976 e NBC TG 26

A DRE tem sua estrutura regulamentada pela Lei 6.404/1976 (artigos 187 e seguintes) e pela NBC TG 26 (Norma Brasileira de Contabilidade para Apresentação das Demonstrações Contábeis), emitida pelo CFC. Para microempresas e empresas de pequeno porte, a NBC TG 1000 (IFRS para PMEs adaptada) simplifica os requisitos, mas mantém a DRE como relatório essencial. O período contábil padrão vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro, coincidindo com o exercício fiscal.

Diferença entre DRE e Balanço Patrimonial

A DRE e o Balanço Patrimonial são complementares, mas têm funções distintas. O Balanço Patrimonial é uma fotografia da empresa em uma data específica, mostrando o que ela possui (ativo), o que deve (passivo) e o patrimônio líquido. A DRE, por sua vez, é um filme do período contábil, mostrando como as receitas e despesas se movimentaram ao longo do tempo. O lucro líquido apurado na DRE é transferido para o Patrimônio Líquido no Balanço ao final do exercício.

Estrutura da DRE: Contas e Grupos

Receita Operacional Bruta e Deduções

A DRE começa pela Receita Operacional Bruta, que representa o total faturado pela empresa com vendas de produtos ou prestação de serviços antes de qualquer desconto. Das deduções fazem parte: impostos sobre vendas (ICMS, ISS, PIS, Cofins), devoluções de mercadorias e abatimentos concedidos. O resultado após essas deduções é a Receita Operacional Líquida, que reflete o faturamento efetivamente disponível para cobrir os custos operacionais.

Custo das Mercadorias ou Serviços e Lucro Bruto

Da Receita Líquida subtrai-se o CPV (Custo dos Produtos Vendidos) para empresas comerciais ou industriais, ou o CSP (Custo dos Serviços Prestados) para prestadoras de serviços. Esses custos incluem matéria-prima, mão de obra direta e custos de produção diretamente ligados ao produto ou serviço. O resultado é o Lucro Bruto, que indica a margem bruta da operação antes das despesas administrativas e comerciais.

Despesas Operacionais e Resultado Operacional

Do Lucro Bruto são subtraídas as despesas operacionais, divididas em: despesas com vendas (comissões, marketing, frete de saída), despesas administrativas (aluguel, salários administrativos, contabilidade) e outras despesas e receitas operacionais (resultado de equivalência patrimonial, por exemplo). O resultado após essas deduções é o Resultado Operacional ou EBIT (Earnings Before Interest and Taxes). O EBITDA é obtido adicionando-se de volta a depreciação e amortização ao EBIT.

Resultado Financeiro e Lucro Antes do IRPJ

O Resultado Financeiro engloba as receitas financeiras (juros recebidos, variações cambiais positivas, rendimentos de aplicações) subtraídas das despesas financeiras (juros pagos, IOF, taxas bancárias, variações cambiais negativas). Somado ao Resultado Operacional, chega-se ao Resultado Antes do IRPJ e da CSLL. Desse valor são deduzidos o IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), chegando ao Lucro Líquido do Exercício.

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Como Montar a DRE Passo a Passo

Passo 1: Levantar a Receita Operacional Bruta

Reúna todos os documentos fiscais emitidos no período (NF-e, NFS-e, NFC-e) e some os valores totais de cada nota. Esse é o ponto de partida da escrituração contábil da DRE. Separe as receitas por natureza: vendas de mercadorias, prestação de serviços e outras receitas operacionais. Utilize o Plano de Contas da sua empresa para classificar corretamente cada receita na conta adequada do grupo 3 (Receitas) conforme o regime de competência (não de caixa).

Passo 2: Calcular Deduções, CPV e Lucro Bruto

Some os impostos incidentes sobre as vendas (ICMS, ISS, PIS, Cofins, IPI quando aplicável) e os abatimentos e devoluções registrados no período. Subtraia da Receita Bruta para obter a Receita Líquida. Em seguida, apure o CPV ou CSP levantando os custos diretos ligados à produção ou prestação do serviço: compras de mercadorias (ajustadas pelo estoque inicial e final), mão de obra direta e insumos. A diferença entre Receita Líquida e CPV/CSP é o Lucro Bruto.

Passo 3: Apurar Despesas, Resultado Financeiro e Lucro Líquido

Liste todas as despesas operacionais do período, classificadas em: despesas com vendas, despesas administrativas e outras despesas operacionais. Some as receitas financeiras e subtraia as despesas financeiras para obter o Resultado Financeiro. Some o Resultado Operacional ao Resultado Financeiro para chegar ao Resultado Antes do IRPJ. Calcule o IRPJ e a CSLL conforme o regime tributário da empresa (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real) e subtraia para obter o Lucro Líquido do Exercício. Registre tudo no livro diário da contabilidade.

Exemplo Simplificado de DRE

Modelo de DRE para Pequenas Empresas

Veja um exemplo simplificado de DRE para uma pequena empresa prestadora de serviços com faturamento anual de R$ 500 mil:

  • Receita Operacional Bruta: R$ 500.000
  • (-) Deduções (ISS, PIS, Cofins): R$ 50.000
  • Receita Operacional Líquida: R$ 450.000
  • (-) Custo dos Serviços Prestados (CSP): R$ 180.000
  • Lucro Bruto: R$ 270.000 (margem bruta de 60%)
  • (-) Despesas com Vendas: R$ 30.000
  • (-) Despesas Administrativas: R$ 90.000
  • Resultado Operacional (EBIT): R$ 150.000
  • (-) Despesas Financeiras Líquidas: R$ 10.000
  • Resultado Antes do IRPJ/CSLL: R$ 140.000
  • (-) IRPJ e CSLL: R$ 21.000
  • Lucro Líquido do Exercício: R$ 119.000 (margem líquida de 26,4%)

Como Interpretar os Indicadores da DRE

A margem bruta (Lucro Bruto / Receita Líquida) mede a eficiência operacional direta da empresa. A margem operacional (EBIT / Receita Líquida) mostra o quanto resta após cobrir todos os custos e despesas operacionais, antes dos efeitos financeiros. A margem líquida (Lucro Líquido / Receita Líquida) é o indicador de rentabilidade final. Comparar esses indicadores entre períodos e com empresas do mesmo setor permite uma análise vertical completa da performance financeira do negócio.

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DRE por Regime Tributário

DRE para Optantes do Simples Nacional

Empresas no Simples Nacional têm a escrituração simplificada pela NBC TG 1000, mas a DRE continua sendo uma ferramenta de gestão indispensável. O DAS (Documento de Arrecadação do Simples) substitui vários tributos em uma única guia, por isso as deduções da receita bruta incluem apenas o percentual de tributos efetivamente destinados ao ISS, ICMS, PIS e Cofins dentro do DAS. Para fins de apuração do PGDAS (declaração mensal do Simples), o controle da receita bruta por competência é obrigatório e alimenta diretamente a DRE.

DRE no Lucro Presumido e no Lucro Real

Empresas no Lucro Presumido apuram o IRPJ e a CSLL sobre uma base de cálculo presumida (percentual fixo sobre a receita bruta, que varia de 8% a 32% conforme a atividade). A DRE deve refletir esse cálculo na linha de IRPJ e CSLL, mesmo que o lucro efetivo seja diferente da base presumida. Já no Lucro Real, o IRPJ e a CSLL incidem diretamente sobre o lucro contábil ajustado pelas adições e exclusões do LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real), tornando a DRE ainda mais relevante pois é a base do cálculo tributário.

Erros Comuns na DRE e Como Evitá-los

Confundir Regime de Caixa com Regime de Competência

O erro mais frequente é lançar receitas e despesas pelo regime de caixa (quando o dinheiro entrou ou saiu) em vez do regime de competência (quando o fato gerador ocorreu). Por exemplo, uma venda realizada em dezembro mas paga em janeiro deve constar na DRE de dezembro, não de janeiro. Usar o regime errado distorce o resultado do exercício, podendo transformar um lucro real em prejuízo aparente ou vice-versa, além de causar problemas na apuração tributária.

Classificação Incorreta de Despesas e Reclassificação Contábil

Outro erro comum é classificar despesas operacionais como custos (CPV/CSP) ou vice-versa. Despesas administrativas como aluguel do escritório, salário do diretor financeiro e honorários contábeis não devem ser incluídas no CSP. Da mesma forma, despesas financeiras não devem ser misturadas às despesas operacionais. Uma classificação incorreta distorce a margem bruta e o EBITDA, prejudicando a análise de rentabilidade. Sempre utilize o Plano de Contas com contas devidamente segregadas e, quando houver erro, registre a reclassificação contábil adequada com nota explicativa.

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Perguntas Frequentes

O que é a DRE?

A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) é o relatório contábil que mostra o lucro ou prejuízo de uma empresa em um determinado período, geralmente 12 meses. Ela organiza todas as receitas, custos e despesas em ordem lógica, partindo da receita bruta até chegar ao lucro líquido do exercício.

A DRE é obrigatória para todas as empresas?

Para sociedades por ações (SA), a DRE é obrigatória pela Lei 6.404/1976. Empresas de médio e grande porte também são obrigadas pelas normas do CFC. Para MEIs, Microempresas e EPPs no Simples Nacional, a DRE não é legalmente obrigatória, mas é fortemente recomendada como ferramenta de gestão e pode ser exigida por bancos, investidores ou na participação em licitações.

Qual a diferença entre DRE e balanço patrimonial?

A DRE mostra o desempenho da empresa ao longo de um período (receitas e despesas que geraram lucro ou prejuízo). O Balanço Patrimonial é uma fotografia da empresa em uma data específica, mostrando seus ativos, passivos e patrimônio líquido. As duas demonstrações são complementares: o lucro apurado na DRE é transferido para o Patrimônio Líquido do Balanço.

Como calcular o lucro líquido na DRE?

O lucro líquido é obtido subtraindo-se, da Receita Bruta: as deduções de impostos sobre vendas, o Custo dos Produtos Vendidos ou Serviços Prestados, as despesas operacionais (vendas e administrativas), o resultado financeiro líquido e o IRPJ com a CSLL. O valor final é o Lucro Líquido do Exercício, que pode ser positivo (lucro) ou negativo (prejuízo).

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