O que você vai ver neste post:

  • O que muda com o fim da escala 6x1, os prazos da Emenda Constitucional 141/2026 e quanto a hora de trabalho vai custar
  • As estratégias que cafeteria, restaurante, padaria e lojas de roupa estão usando para adotar a escala 5x2
  • Como planejar no caixa o custo da nova escala antes de dezembro, com o financeiro organizado no Simplifique

Testar o Simplifique gratuitamente

Em menos de dois meses, a folga única de domingo deixa de ser a regra no Brasil. O fim da escala 6x1 foi promulgado pelo Congresso em 16 de outubro de 2026, e a escala 5x2 passa a valer em até 60 dias, sem corte de salário. Para a padaria, a loja de bairro e o restaurante que abrem quase todos os dias, a pergunta é imediata: quem vai cobrir as folgas?

A boa notícia vem de uma pesquisa do Sebrae. Segundo o Pulso dos Pequenos Negócios, 51% dos donos de micro e pequenas empresas e MEIs avaliam que o fim do 6x1 não terá impacto no negócio. Os outros 49%, porém, precisam redesenhar a equipe agora, e o prazo é curto.

Neste guia, você confere o que diz a emenda, quanto a hora de trabalho vai custar e como empresários que já trabalham na escala 5x2 reorganizaram turnos, folgas e rotinas. No fim, há um passo a passo para fazer a transição antes de dezembro.

O que muda com o fim da escala 6x1

A escala 6x1 é o regime em que o empregado trabalha seis dias e folga um por semana. Ela era permitida porque a Constituição limitava a jornada a 44 horas semanais e garantia só um descanso semanal remunerado. A emenda muda os dois pontos.

O que diz a Emenda Constitucional 141/2026

A Emenda Constitucional nº 141/2026 nasceu da PEC 221/2019. A Câmara aprovou o texto em maio, por 472 a 22 no primeiro turno. O Senado concluiu a votação em 14 de outubro, por 75 a 1, e o Congresso promulgou a emenda em 16 de outubro de 2026.

O texto garante dois dias de repouso semanal remunerado e reduz a jornada máxima, sem redução salarial. Na prática, a escala 5x2 (cinco dias de trabalho e duas folgas) vira o padrão para todos os empregados com carteira assinada.

Cronograma: de 44 para 40 horas semanais

A redução da jornada semanal acontece em duas etapas. Confira as datas:

  • 1ª etapa, em até 60 dias da promulgação (meados de dezembro de 2026): escala 5x2 obrigatória e limite de 42 horas semanais.
  • 2ª etapa, 12 meses depois da primeira: limite de 40 horas semanais, com 8 horas por dia em cinco dias.
  • Transição completa: 14 meses contados da promulgação.

Durante a 1ª etapa, as duas horas que passam das 8 horas diárias podem ser distribuídas ao longo da semana. Dividindo 42 horas por cinco dias, o empregado trabalha 8h24 por dia.

Atenção: contando 60 dias a partir de 16/10/2026, a escala 5x2 e o limite de 42 horas passam a valer por volta de 15 de dezembro de 2026, em plena temporada de Natal do comércio. Depois disso, o que passar da jornada vira hora extra.

Negociação coletiva e as exceções previstas

A emenda abre uma porta para setores que funcionam todos os dias. Por acordo ou convenção coletiva (o acerto feito com o sindicato da categoria), a empresa pode adotar uma escala diferente da 5x2, desde que a compensação feche no mesmo mês-calendário e o empregado tenha, em média, duas folgas remuneradas por semana.

O texto também prevê que uma lei complementar poderá criar medidas transitórias para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte. Até essa lei sair, vale a regra geral. Veja agora quanto isso pesa no custo da equipe.

Quer saber se o seu caixa aguenta a nova jornada antes de dezembro? Organize contas a pagar e fluxo de caixa num só lugar.

Teste o Simplifique gratuitamente

Quanto custa adotar a escala 5x2 na pequena empresa

O salário não pode cair. Então o mesmo valor passa a pagar menos horas, e cada hora trabalhada fica mais cara. Esse é o efeito que o dono do negócio precisa colocar no planejamento financeiro.

O custo da hora de trabalho sobe

Na conta usual, o divisor do salário mensal é a jornada semanal multiplicada por cinco. Com 44 horas, o divisor é 220. Com 42 horas, cai para 210. Com 40 horas, para 200.

  • Com 42 horas: a hora fica cerca de 4,8% mais cara (44 dividido por 42).
  • Com 40 horas: a hora fica 10% mais cara (44 dividido por 40).
  • Hora extra: o adicional de no mínimo 50% incide sobre a hora mais cara, então cada hora extra também sobe.

Exemplo prático com números

Veja o caso de um vendedor com salário de R$ 2.200 por mês. Os valores abaixo não incluem encargos (INSS patronal, FGTS, férias e 13º), que aumentam o custo final.

Jornada semanal Divisor mensal Valor da hora Hora extra (50%)
44 horas (escala 6x1)220R$ 10,00R$ 15,00
42 horas (1ª etapa)210R$ 10,48R$ 15,71
40 horas (2ª etapa)200R$ 11,00R$ 16,50

Na prática, confirme o divisor e os adicionais com o seu contador, porque a convenção coletiva da categoria pode trazer regras próprias.

Contratar, pagar hora extra ou reorganizar?

Há três caminhos para cobrir as horas que somem, e cada um pesa de um jeito no caixa:

  • Reorganizar a escala: custa pouco, mas exige conhecer o movimento de cada dia e horário.
  • Pagar hora extra: resolve no curto prazo, mas fica caro se virar rotina.
  • Contratar: traz folga para a equipe, mas soma salário e encargos todo mês.

O dono de uma padaria com 27 funcionários no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, calculou que precisaria de seis a sete contratações, com a folha subindo ao menos R$ 12 mil por mês, sem encargos. Por isso, a ordem certa é: reorganizar primeiro, contratar depois. Entenda como os empresários estão fazendo isso.

Fim da escala 6x1: as estratégias de quem já trabalha no 5x2

Algumas empresas não esperaram a emenda. Os relatos reunidos pelo Sebrae e pela imprensa mostram um padrão: primeiro entender o movimento, depois desenhar a escala e, por fim, conversar com a equipe.

Cafeteria Civitá: conversar com a equipe, começando pelas lideranças

A Civitá, cafeteria de cafés especiais e pães de fermentação natural em Brasília, funciona todos os dias e adotou a escala 5x2 em maio de 2026. O sócio Fernando Bakker conta que o início foi confuso, mas a equipe ficou mais satisfeita e o faturamento não caiu.

O conselho dele é direto: comece a conversa pelas lideranças e redesenhe as rotinas, sabendo que não existe modelo único. "Trabalhador mais descansado é equipe mais empenhada e resultados melhores", resume Bakker.

Restaurante Dona Marla: mapear os dias de baixo movimento

O restaurante Dona Marla, na região do ABC paulista, trabalha na escala 5x2 desde a abertura, em 2023. O chef Marcos Silva recomenda começar pela análise dos dias da semana com menor movimento e avaliar se vale a pena abrir em cada um deles.

Isso não significa reduzir o horário de atendimento. Significa colocar menos gente nos turnos fracos e mais gente nos picos. O restaurante começou com 42 lugares e mais que dobrou de tamanho mantendo o modelo.

Maria Bonita: folgas fixas e sábado livre no administrativo

Paula Goldberg, dona da marca de roupas femininas Maria Bonita, com três lojas abertas de segunda a sábado, decidiu acabar com o trabalho aos sábados no setor administrativo. Na loja, cada funcionário terá folga fixa no domingo e mais um dia entre segunda e quarta, os dias mais fracos do varejo.

Ela também preparou as mudanças de contrato com o RH e a contabilidade. Segundo a empresária, a escala nova ajuda a enxergar em quais dias a loja realmente precisa de mais gente na hora de contratar.

Pequenos comércios: reforço temporário, família e hora extra

Nas lojas menores, as saídas são mais variadas. Uma lojista da Lapa, em São Paulo, vai contratar só reforço temporário para o Natal e decidir em janeiro se mantém alguém fixo. Outra comerciante, que trabalha sozinha, prefere pagar hora extra a contratar. Há ainda quem conte com parentes e menores aprendizes para cobrir as folgas.

Coloque o custo da nova escala no caixa

Lance folha, horas extras e contratações previstas em contas a pagar e veja no fluxo de caixa diário, mensal e anual se o mês fecha no azul.

Conheça o ERP financeiro

Com esses exemplos em mente, veja como montar a sua transição em etapas.

Passo a passo para adotar a escala 5x2 antes de dezembro

O prazo da 1ª etapa vence em meados de dezembro. Organize a transição nesta ordem:

  1. Mapeie o movimento por dia da semana e por faixa de horário.
  2. Calcule quantas pessoas cada turno precisa, com a nova jornada de 42 horas.
  3. Desenhe a escala com folgas em rodízio e teste no papel.
  4. Formalize as mudanças com o contador e, se for o caso, com o sindicato.
  5. Comunique a equipe com antecedência e ajuste depois das primeiras semanas.

Mapeie o movimento por dia e horário

Use o que você já tem: vendas por dia, entradas no caixa, horário dos pedidos, fila no balcão. O Sebrae recomenda levantar os horários de maior movimento, identificar tarefas que podem mudar de horário e definir quantos funcionários cada período exige.

O simulador Escala Sebrae ajuda a comparar cenários. Ele considera atividade, número de funcionários, salários, horários e faturamento, e sugere reorganizar a equipe, contratar ou recorrer a freelancers.

Desenhe a escala com folgas em rodízio

Com folgas em rodízio, três pessoas cobrem uma loja aberta de segunda a sábado sem deixar nenhum dia com menos de dois atendentes. Veja um modelo inspirado na estratégia da Maria Bonita:

Funcionário Folgas Dias de trabalho
Atendente ADomingo e segundaTerça a sábado
Atendente BDomingo e terçaSegunda e quarta a sábado
Atendente CDomingo e quartaSegunda, terça e quinta a sábado

Resultado: dois atendentes de segunda a quarta (dias fracos) e três de quinta a sábado (dias fortes). Na prática, quem abre também aos domingos precisa de mais uma pessoa ou de um acordo coletivo que permita a compensação no mês.

Formalize com o contador e o sindicato

A mudança de jornada altera o contrato de trabalho. Por isso, ela precisa ser comunicada, registrada em aditivo e, conforme a categoria, negociada com o sindicato. O contador ajusta a folha de pagamento, os eventos do eSocial e o cálculo das horas extras.

Comunique a equipe e ajuste nas primeiras semanas

Apresente a escala nova com antecedência, explique o critério das folgas e ouça quem está no balcão. A primeira versão raramente é a definitiva. Reveja a escala depois de duas ou três semanas, olhando filas, vendas e horas extras. Agora, veja os erros que mais encarecem essa mudança.

Erros que encarecem a transição do 6x1 para o 5x2

A transição mal planejada costuma aparecer no caixa antes de aparecer na equipe. Evite estes quatro deslizes.

Deixar tudo para dezembro

Dezembro é o mês de maior movimento do varejo e também o mês em que a 1ª etapa entra em vigor. Quem deixa a escala para a última semana acaba cobrindo buraco com hora extra, que é a forma mais cara de resolver o problema. Defina a escala até o fim de novembro.

Transformar hora extra em rotina

Pagar hora extra de vez em quando é normal. Pagar todos os dias para manter a escala antiga significa trabalhar no 6x1 com custo maior, além do risco de passivo trabalhista. Acompanhe o total mensal de horas extras e compare com o custo de uma contratação.

Esquecer o custo no fluxo de caixa

Folha maior, contratações e reforço de fim de ano saem do caixa todo mês. Se esses valores não estiverem lançados em contas a pagar, o aperto aparece só quando a conta chega. Projete pelo menos os próximos três meses.

Repassar preço sem medir

Aumentar preço é uma saída, mas sem saber quanto a folha subiu você corre o risco de perder cliente à toa. Calcule primeiro o impacto real e só então revise a sua margem. Veja abaixo os conteúdos que ajudam nessa conta.

Leia também

Conheça o ERP para pequenas empresas

Como o Simplifique ajuda a planejar o caixa da nova escala

O fim da escala 6x1 é, antes de tudo, uma mudança de custo. O Simplifique é um sistema de gestão usado por mais de 9 mil empresas, e o financeiro dele ajuda você a enxergar esse custo antes que ele vire aperto. O cálculo da folha, das horas extras e a montagem da escala continuam com o seu contador ou com o sistema de folha e ponto.

Provisione a folha maior em contas a pagar

Lance salários, horas extras previstas e o reforço temporário de fim de ano como contas a pagar, com alerta de vencimento. Assim, cada novo compromisso da escala 5x2 aparece na agenda financeira antes de sair do caixa.

Acompanhe o fluxo de caixa diário, mensal e anual

O fluxo de caixa mostra entradas e saídas previstas e realizadas, com visões diária, mensal e anual. A visão diária também ajuda a enxergar quais dias concentram mais recebimentos, um bom ponto de partida para mapear os dias fracos.

Financeiro, vendas e contador no mesmo sistema

  • Gestão financeira: contas a pagar e a receber, conciliação bancária e fluxo de caixa no mesmo sistema.
  • Relatórios personalizados: análises configuráveis para comparar meses antes e depois da nova escala.
  • Controle de vendas e estoque: pedido de venda e saldo atualizado quando a NF-e é autorizada.
  • Integração contábil: documentos fiscais e movimentações enviados ao contador, que cuida da folha.
  • Emissão fiscal: NF-e, NFC-e e NFS-e no mesmo lugar, sem retrabalho.

Com o caixa organizado, a decisão entre contratar, pagar hora extra ou reorganizar a escala deixa de ser chute. Faça o teste e veja os números do seu negócio num só painel.

Comece o teste grátis

Perguntas Frequentes

Quando acaba a escala 6x1?

A escala 6x1 acaba em até 60 dias da promulgação da Emenda Constitucional 141/2026, que ocorreu em 16 de outubro de 2026. Ou seja, por volta de meados de dezembro de 2026 a escala 5x2 passa a valer, com limite de 42 horas semanais. Doze meses depois, o limite cai para 40 horas.

O salário diminui com o fim da escala 6x1?

Não. A emenda reduz a jornada sem redução salarial. O empregado recebe o mesmo salário por menos horas, o que deixa o valor da hora cerca de 4,8% mais caro com 42 horas e 10% mais caro com 40 horas.

A escala 6x1 ainda pode ser usada depois da emenda?

Só de forma excepcional, por acordo ou convenção coletiva. Nesse caso, a compensação precisa fechar no mesmo mês-calendário e o empregado deve ter, em média, duas folgas remuneradas por semana. Sem negociação coletiva, vale a escala 5x2.

Como o comércio que abre todos os dias vai se adaptar à escala 5x2?

Com folgas em rodízio. Os empresários mapeiam os dias de menor movimento, concentram as folgas neles e reforçam a equipe nos picos. Quem abre aos domingos costuma precisar de mais uma pessoa ou de acordo coletivo para compensar as folgas no mês.

O Simplifique calcula a folha e monta a escala 5x2?

Não. O cálculo da folha, das horas extras e a montagem da escala ficam com o contador ou com o sistema de folha e ponto. O Simplifique ajuda no financeiro: você lança o custo da nova jornada em contas a pagar, acompanha o fluxo de caixa e compartilha os dados com o contador.