O que você vai ver neste post:
- Por que a alíquota de 11,3% aprovada pelo TCU ficou bem acima dos 8,8% e dos 9,21% estimados antes.
- Como funciona o redutor de 44,16% nas compras públicas e o que ele muda para quem vende ao governo.
- Como deixar a emissão de notas pronta para a CBS antes da virada de 2027.
Em 2024, a conta oficial para a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, o tributo federal que substitui PIS e Cofins) era de 8,8%. Em 28 de outubro de 2026, o TCU aprovou alíquota de 11,3%, cerca de 28% acima daquela projeção. E quem vende para órgãos públicos ganhou uma segunda conta para fazer: um redutor de 44,16% nas compras da administração.
Segundo a Agência Brasil, o percentual calculado pelo Tribunal de Contas da União foi de 11,3468%, arredondado para 11,3%. O número fica 2,09 pontos percentuais acima dos 9,21% que o Comitê Gestor do IBS (CGIBS) havia estimado em julho de 2026. A decisão foi unânime e agora segue para o Senado.
Neste guia você confere o que exatamente foi aprovado, por que a alíquota subiu, como o redutor das compras públicas funciona na prática e o que a sua empresa precisa ajustar até 15 de dezembro.
Tópicos neste artigo:
- O que o TCU aprovou em 28 de outubro
- Por que a alíquota de 11,3% aprovada pelo TCU ficou acima das estimativas?
- Redutor de 44,16%: como fica a CBS nas compras públicas
- O que a alíquota de 11,3% muda para a sua empresa
- Próximos passos: Senado até 15 de dezembro e calendário da CBS
- CBS de 11,3% na nota fiscal sem retrabalho
- Perguntas Frequentes
O que o TCU aprovou em 28 de outubro
A decisão saiu de uma sessão plenária extraordinária do Tribunal de Contas da União, realizada na quarta-feira, 28 de outubro de 2026. Foram dois números aprovados na mesma votação, e os dois afetam diretamente o preço que a sua empresa vai praticar em 2027.
Decisão unânime, com relatoria de Vital do Rêgo
O índice foi proposto pelo relator, ministro Vital do Rêgo, com base na análise do corpo técnico do tribunal sobre os cálculos enviados pelo governo federal. O processo é o TC 006.529/2026-7, e todos os ministros acompanharam o voto.
Segundo o relator, a intenção não foi maximizar a arrecadação nem minimizar a alíquota. O objetivo foi chegar ao percentual que garante a equivalência de receita prevista na Constituição.
De 11,3468% para 11,3%
O cálculo técnico chegou a 11,3468%, valor arredondado para 11,3%. Esse é o percentual que o TCU entende necessário para que a CBS arrecade, em 2027, o mesmo que PIS e Cofins arrecadariam sem a reforma tributária.
Na prática, a alíquota de referência é o ponto de partida. Setores com redução de 30%, 60% ou alíquota zero, previstos na Lei Complementar 214/2025, aplicam os descontos sobre esse número.
O que é a alíquota de referência da CBS
A alíquota de referência é o percentual padrão da CBS, calculado para preservar, em termos agregados, a arrecadação dos tributos federais que ela substitui. Pelas regras da Emenda Constitucional 132/2023 e da LC 214/2025, cabe ao TCU fazer esse cálculo e ao Senado fixar o valor por resolução.
- Quem calcula: o Tribunal de Contas da União, a partir dos dados enviados pelo Executivo.
- Quem fixa: o Senado Federal, por meio de resolução.
- Para que serve: manter a carga tributária federal sobre o consumo estável durante a transição.
Entenda a seguir por que o número final assustou o mercado.
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Por que a alíquota de 11,3% aprovada pelo TCU ficou acima das estimativas?
A alíquota de 11,3% aprovada pelo TCU não surgiu do nada. Ela é o resultado de uma conta que começou otimista em 2024 e foi ficando mais cara à medida que a regulamentação acrescentou exceções.
De 8,8% para 9,21% e depois 11,3%
| Quando | Quem estimou | Alíquota da CBS |
|---|---|---|
| 2024 | Ministério da Fazenda (26,5% somando IBS e CBS) | 8,8% |
| Julho de 2026 | Comitê Gestor do IBS (CGIBS) | 9,21% |
| 28 de outubro de 2026 | Tribunal de Contas da União | 11,3% (11,3468%) |
A diferença entre a estimativa do CGIBS e o número do TCU é de 2,09 pontos percentuais. Em uma venda de R$ 100 mil, isso representa cerca de R$ 2.090 a mais de CBS destacada na nota.
O teto de arrecadação de 2012 a 2021
O novo sistema tem uma trava constitucional: a arrecadação sobre o consumo deve se manter no patamar da média da receita de 2012 a 2021, medida como proporção do PIB. Os cálculos do TCU partiram dessa premissa de neutralidade.
Ou seja, o tribunal não escolheu um número. Ele calculou qual alíquota devolve aos cofres federais o mesmo que PIS e Cofins entregariam, considerando a base tributável real.
O peso das exceções, do Simples Nacional e do cashback
O cálculo levou em conta tudo o que reduz a base da CBS. Quanto mais tratamento favorecido a lei prevê, maior precisa ser a alíquota nas demais operações para compensar.
- Alíquotas reduzidas para saúde, educação, alimentos e outros setores listados na LC 214/2025.
- Regimes específicos, como combustíveis, serviços financeiros e bens imóveis.
- Simples Nacional, que recolhe a CBS dentro da guia única com valores menores.
- Devolução de tributos (o chamado cashback para famílias de baixa renda).
- Créditos tributários da não cumulatividade plena, que reduzem a arrecadação líquida.
Na prática, cada exceção aprovada no Congresso foi empurrando a alíquota padrão para cima. Veja agora o segundo número aprovado na mesma sessão.
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Redutor de 44,16%: como fica a CBS nas compras públicas
Junto com a alíquota de referência, o TCU fixou em 44,16% o redutor aplicado às compras da administração pública. Esse é o ponto que mais diferencia esta decisão de tudo o que foi discutido até aqui.
Quem são os compradores alcançados pelo redutor
O redutor vale para as aquisições de bens e serviços feitas pela administração pública direta, pelas autarquias e pelas fundações públicas. A base constitucional é o artigo 149-C da Constituição, incluído pela EC 132/2023.
- Administração direta: ministérios, secretarias estaduais e prefeituras.
- Autarquias: como agências reguladoras e universidades federais.
- Fundações públicas: entidades de direito público mantidas pelo Estado.
Empresas estatais e sociedades de economia mista não estão nessa lista. Confirme com o contador a natureza jurídica do órgão comprador antes de aplicar o redutor.
Como o redutor funciona na conta
O redutor diminui de forma uniforme a alíquota da CBS nas vendas para esses compradores. Em uma conta ilustrativa, 11,3% reduzidos em 44,16% resultam em cerca de 6,31% de CBS na operação com o órgão público.
Para onde vai a arrecadação das compras governamentais
Pelo artigo 149-C, a CBS incidente nessas compras é destinada ao próprio ente contratante. O objetivo declarado pelo TCU é evitar que os serviços públicos fiquem mais caros com a nova tributação e manter a carga dessas aquisições equivalente à que incide hoje.
Em outras palavras, o governo deixa de pagar imposto para si mesmo. Confira o que isso significa para o seu caixa.
O que a alíquota de 11,3% muda para a sua empresa
O efeito da alíquota de 11,3% depende de para quem você vende e de qual regime tributário você usa. Por isso, a pergunta certa não é "quanto vou pagar", e sim "quanto o meu preço líquido vai mudar".
Fornecedor de órgão público e licitações
Quem participa de licitações precisa revisar a composição de preços. A planilha de custos passa a separar a CBS cheia (vendas ao setor privado) da CBS com redutor (vendas ao governo).
- Identifique quais clientes são administração direta, autarquias ou fundações.
- Marque esses clientes no cadastro para que a nota aplique o tratamento correto.
- Revise contratos de longo prazo com cláusula de reequilíbrio tributário.
- Simule a margem com a CBS reduzida antes da próxima proposta.
Empresa que vende para o setor privado
Para quem vende a outras empresas, a não cumulatividade plena da CBS muda a régua de comparação. O cliente passa a olhar o preço líquido de crédito, e não mais o preço de tabela.
Na prática, uma CBS maior também significa um crédito maior para o seu cliente. Isso favorece fornecedores que destacam o tributo corretamente na NF-e (também escrita NFe) e na NFS-e.
Preço não sobe 11,3% automaticamente
Uma alíquota de 11,3% não significa que produtos e serviços ficarão 11,3% mais caros. A CBS substitui PIS e Cofins, que já estão embutidos no preço atual, e ainda gera crédito na etapa seguinte.
O impacto real depende da sua margem, do volume de insumos que geram crédito e do setor. Por isso, faça a simulação com números da sua operação. Veja a seguir o calendário que define até quando dá para ajustar.
Próximos passos: Senado até 15 de dezembro e calendário da CBS
A aprovação do TCU não encerra o assunto. O cálculo agora vai ao Senado, e o calendário da reforma tributária continua correndo em paralelo.
Resolução do Senado até 15 de dezembro
O Senado Federal deve analisar o cálculo e publicar a resolução com a alíquota de referência da CBS para 2027 até 15 de dezembro de 2026. Os senadores podem confirmar ou não os percentuais propostos pelo tribunal.
E se o Senado não votar a tempo?
Segundo o ConJur, se o Senado não ratificar a alíquota dentro do prazo, o cálculo do TCU passa a valer automaticamente. Ou seja, 11,3% é o número mais provável para o planejamento de 2027.
O calendário da CBS e do IBS até 2033
| Período | O que acontece |
|---|---|
| 2026 | Ano de teste: CBS a 0,9% e IBS a 0,1% destacados na nota |
| Até 15/12/2026 | Senado publica a resolução com a alíquota de referência da CBS |
| 2027 | CBS passa a ser cobrada e substitui PIS e Cofins |
| 2029 a 2032 | Transição do IBS, com redução gradual de ICMS e ISS |
| 2033 | Modelo novo em vigor integral |
Com o calendário em mãos, sobra a parte operacional: a nota fiscal.
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CBS de 11,3% na nota fiscal sem retrabalho
Alíquota cheia para um cliente e com redutor para outro: a partir de 2027, a mesma empresa pode emitir notas com tratamentos diferentes de CBS no mesmo dia. Quem depende de ajuste manual vai errar em algum momento.
O risco de errar o destaque da CBS
Um CST ou um cClassTrib (código de classificação tributária) errado leva à rejeição da nota ou ao destaque incorreto do tributo. No caso de venda a órgão público, o redutor também precisa estar aplicado ao cliente certo.
Como o Simplifique ajuda na transição
- Emissão de NF-e, NFS-e, CT-e e MDF-e em uma única plataforma, já preparada para os grupos de IBS e CBS.
- Atualização automática de leiaute a cada nota técnica publicada, sem instalação.
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Perguntas Frequentes
Qual a alíquota da CBS aprovada pelo TCU?
O TCU aprovou em 28 de outubro de 2026 a alíquota de referência da CBS em 11,3% para 2027. O cálculo técnico chegou a 11,3468%, arredondado para 11,3%. O valor ainda depende de resolução do Senado, prevista até 15 de dezembro de 2026.
O que é o redutor de 44,16% da CBS?
É a redução uniforme da CBS nas compras feitas pela administração pública direta, autarquias e fundações públicas. Na conta ilustrativa, a CBS cai de 11,3% para cerca de 6,31% nessas operações. A arrecadação fica com o próprio ente contratante, conforme o artigo 149-C da Constituição.
Por que a alíquota da CBS ficou acima de 9,21%?
Porque o cálculo considera todas as exceções da reforma tributária: alíquotas reduzidas, regimes específicos, Simples Nacional, devolução de tributos e créditos. Quanto mais benefícios setoriais, maior precisa ser a alíquota padrão para manter a arrecadação equivalente à de PIS e Cofins.
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